Às vezes o maior desafio da parentalidade é… manter o casamento!
Pode parecer estranho para quem ainda não tem filhos. Pensamos que ter um
filho, sendo algo que é desejado e planeado pelos dois vai, se alguma coisa,
fortalecer o casal por ser algo que "o amor unido fez". Mas para quem os tem sabe
o quão é difícil “encaixar” tudo; tanto em termos de tempo como em termos de
disponibilidade mental e emocional.
Há algumas “regras de ouro”
que penso poderem ajudar:
Tentem ouvir. Mesmo que não percebam bem o quão difícil é estar com um pequeno
ser que depende inteiramente de nós, o dia todo, a perceber o que é que ele (ou
ela) querem, a fazer coisas que nunca se fez na vida como dar de mamar (ou
biberon), ou “simplesmente” fazer as “tarefas normais” como ir às compras com a
logística do ovinho, carrinho de compras, carteira.. ou o avassalador sentido de responsabilidade que se ganha a conduzir
porque de repente percebemos que fazemos mesmo falta no mundo se morrermos! (Se
morrermos alguém fica literalmente sem comer!). Muitas vezes, em especial para
a mulher é muito, muito, muito importante que o marido ouça as dificuldades sem
achar pieguiçe. E… não diga nada! Ou se quiser dizer alguma coisa diga:
“não consigo imaginar porque não sou mulher mas soa-me a dificil!” Isto é o
tipo de “parabéns por estares a conseguir” que a mulher precisa. Já basta às
vezes sentir que está a fazer tudo mal... não batam mais no ceguinho! E homens… se
querem propor uma solução (o que é típico e se fossemos homens queriamos ouvi-la)
façam isso com jeitinho! (como se fossem burros – e nestes desafios de ser mãe
até são!) É como quem pisa areias
movediças… podem ficar lá presos e só piorar as coisas!
Tentem compreender. O exercício de nos colocarmos no lugar do outro é super importante
aqui. Ambos passam a sentir um grau de responsabilidade tão elevado e tão
repentino que parece até que a própria
Terra abalou e ninguém mais sentiu senão os dois! Tanto a mãe; do qual é
exigido tanto (bebé perfeito; mãe perfeita; casa perfeita; mulher perfeita) e
que faça tudo isto com facilidade e sem se queixar; como o pai, que se sente
sobrecarregado no papel de protetor e "provider" tem direito em estar a passar
uma fase de enormes desafios.
Ajudem-se mutuamente! Vejam se há forma de se estarem a ajudar e apoiar mais um ao outro. Um
fazer o jantar enquanto o outro dá banho; ou coordenarem-se de forma a quando
dão banho as tarefas estão definidas e um funciona de assistente ao outro (sem
darem sugestões da bancada! Quando o banho acabar e estiverem no sofá com a
criança a dormir aí podem dizer: olha estive a pensar e acho que se calhar se a
toalha estiver mais perto de nós dá mais jeito… mas sem insinuar que a criança
ficou roxa!). Há que lembrar que esta
fase é altamente estressante para ambos, (mesmo que não aparentem estar.
Estão!) e portanto com os nervos à flor da pele às vezes as coisas soam mal sem
o serem!
Perdoem-se e passem ao
próximo desafio! Não vale a pena amuar porque ele
disse uma parvoíçe no jantar de família com a sogra! Digam-lhe que não gostarem
e o que acontece da próxima vez que fizerem algo parecido! (os homens são um
bocadinho como as crianças… há que os educar!). E se amuarem eles não vão
perceber nada (porque de telepatia têm mesmo muito pouco…) e só se vão afastar
mais porque não têm pachorra para amuos… (talvez no principio do namoro sim mas
agora?) Têm coisas mais importantes que vos podem separar por isso há que se
concentrarem nas coisas boas e no que vos uniu.
Lembrem-se o quanto gostam
um do outro. É muito boa ideia ver álbuns de
fotografia e lembrarem-se daquelas férias fantásticas ou daquela noite maluca! Quando olham para o lado não o façam só com
as raivinhas desse dia mas com o amor que faz com que, apesar de tudo, tenha
passado mais um dia em que estão ainda juntos. O amor faz coisas
extraordinárias. Aquele pequeno ser, mesmo quando chora a meio da noite, é uma
prova viva disso mesmo.
Marquem tempo um para o
outro. Sim agora é preciso marcar!! Na agenda!! E sim é preciso perguntar à mãe se podem, à
criança se deixa e ao cão que não ladre! O mais fácil é ser um dia por
semana, todas as semanas porque assim todos se habituam! E voçês também! As
primeiras vezes a mãe vai estar… com fogo no rabo! Não é fácil deixar a
cria… um animal não o faria descansadamente de ânimo leve e as mães para além
da culpabilidade emprestada pela sociedade também são… mamíferas! Depois
torna-se mais fácil e qualquer dia até falam de outra coisa sem ser o bebé! (eu
disse qualquer dia… têm que esperar um bocado…)
Sejam pacientes! Todas estas regras “exigem” paciência. Tolerância. Calma. Toda esta fase é… exigente. Mas é uma fase.
Passa. E qualquer dia até têm “saudades” (lembram-se com nostalgia) das
vezes que o bebé chorava e que voçês tontos achavam que eram cólicas e
puseram-se a fazer ginásticas com as pernas e o bebé afinal estava era com
fome!! Lol
Se tudo corer bem passam
esta fase… juntos! Porque não é preciso que o bebé vos afaste! Ele pode mesmo
ajudar-vos a ver o melhor que há em cada um de voçês e o quão gostam um do
outro que até aturam muito do mau também! Não esperem que tudo seja perfeito. A
vida não é assim. (E ainda bem!! Porque eu também
não sou!)
"Por detrás de todas estas "regras" está algo implícito que é o mais importante de tudo! Amar e comunicar esse amor! Senão o outro não sabe! E o mais importante, na vida, para qualquer um de nós é: sentir o amor que o outro sente por nós! Sem isso... não temos "alimento"!
"Por detrás de todas estas "regras" está algo implícito que é o mais importante de tudo! Amar e comunicar esse amor! Senão o outro não sabe! E o mais importante, na vida, para qualquer um de nós é: sentir o amor que o outro sente por nós! Sem isso... não temos "alimento"!
Sem comentários:
Enviar um comentário